Durante o tempo que estou em
Salvador, trabalhando na Secretaria de Missões da Adesal (Semadesal), como
Secretário de Comunicação e ministrando em várias igrejas acerca de missões,
tenho observado que os conceitos acerca de missões precisam ser resignificados.
Na verdade, a igreja precisa do que a Coordenadora de Missões do Setor de São
Cristóvão, Marinéia Bonfim, chama de "educação missionária". Tanto a
liderança, quanto os membros e congregados em geral, pensam que estão fazendo
missões pelo fato de ter um número de obreiros transculturais enviados e sendo
sustentados.
Então, a coisa funciona assim:
Para os líderes: ter alguém atuando
na Secretaria de Missões respondendo pela causa, é suficiente. Ele responde por
missões e é responsável pelo sucesso ou fracasso. Assim, resta tempo para as
questões políticas e periféricas e, nas atividades missionárias da instituição
eles aparecem, dão uma palavra incentivadora, acompanha por algumas horas o
evento, e pronto, está feita sua parte!
Para a maioria dos fiéis: Ofertar é
tudo. Ofertando, compra-se uma consciência livre. Mônica de Mesquita em
seu livro "Missionários & Recursos", enumera vinte tipos de
contribuintes da obra missionária, entre eles, cito os que representam a
maioria dos que investem em missões na igreja hoje:
·
O amigo: Contribui com certo missionário porque é amigo pessoal dele;
![]() |
| Igreja em São Cristóvão: atividade missionária |
·
O constrangido: o que sente desconforto em dizer "não" quando
é desafiado a contribuir;
·
O parente: contribui por ser parente do missionário;
· O vaidoso: contribui para que todos saibam;
· O indeciso: aquele que a cada mês envia para um missionário diferente;
·
O Papai Noel: o que só contribui em dezembro;
·
O oportunista: só contribui quando está bem financeiramente.
Assim, temos uma mentalidade
missionária equivocada e uma crise de visão em missões. A obra missionária
precisa ser definida para os crentes à luz da Bíblia. Mas, para que isto
aconteça, precisamos de que sejam levantados ministros de missões. Obreiros de
base que, estribados em uma visão bíblica e teológica, ensinem aos fiéis acerca
de seu papel no contexto de missões.
Então, para que abandonemos uma visão
equivocada acerca de missões, precisaremos:
Primeiro: uma mudança na
mentalidade missionária de nossos líderes. E aqui está o maior de nossos problemas.
A maioria dos líderes evangélicos estão comprometidos com: o crescimento apenas
de seu rebanho, a divulgação do nome de sua denominação, com os assuntos
políticos, entre outros. E, como disse acima, passam a responsabilidade da
grande comissão para uma Secretaria de Missões e se contentam com os relatórios
de seus Secretários de Missões, sem ao menos, conhecer pessoalmente seus
missionários.
É urgente que líderes se comprometam
com a obra missionária, sejam o porta voz da causa, que incendeiem o coração de
suas ovelhas, que lhes apresentem uma visão de missões embasada nas Escrituras
e numa visão específica de Deus para sua comunidade. Se o líder não estiver
totalmente envolvido, todo esforço dos obreiros de missões na igreja local,
será comprometido. As igrejas que eu ministro onde os líderes são os primeiros
a levantarem a bandeira de missões, são as que mais respondem às necessidades
das nações e dos missionários.
·
Uma chama de missões;
·
Alguém com vocação para a causa;
·
Cheio de compaixão pelas vidas e pela causa dos missionários;
·
Alguém em sintonia com os missionários, atualizado;
·
Alegre e incentivador;
·
Que desfrute de bom testemunho e relacionamento com seu Pastor e os
membros de sua comunidade, entre outras coisas;
Terceiro: a igreja precisa
ter uma visão bíblica e teológica de missões, isto é, as definições acerca da
grande comissão deve ser embasada nas Escrituras, além de ter uma revelação
específica do Espírito Santo para sua comunidade (sobre esta visão específica,
falaremos em uma outra oportunidade).
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| Treinamento para Secretários de Missões semadesal Julho/2011 |
Quanto aos conceitos e definições de missões, precisam ser trabalhados
pelo Pastor e seus ministros de missões, através da Palavra Pastoral,
Seminários, Cursos, Treinamentos, Conferências, etc. Nestes encontros
(ensinamos como prepará-los em nosso Treinamento para Secretários de Missões),
aproveita-se não só para reformular os conceitos, mas a garimpar novos
talentos, descobrir vocacionados, compartilhar visões e experiências.
É mais do que óbvio que, muitas outras atitudes precisam ser tomadas
para que a igreja caminhe coadunada com a proposta da Palavra de Deus para a
obra missionária. Todavia, estas três são as básicas e por elas já dá pra dar
início a um processo de mudanças na mentalidade da igreja. Poderemos tratar das
demais em uma outra postagem.
Pr. Raimundo Campos
Secretário de Comunicação da Semadesal



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